segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Plantas Aromáticas


Plantas Aromáticas
 

 

O ALECRIM é um arbusto muito ramificado, sempre verde, com hastes lenhosas, folhas pequenas e finas, opostas e lanceoladas. A parte superior das folhas é de cor verde-acinzentada, enquanto a inferior é quase prateada. As flores reúnem-se em espigas terminais e são de cor azul ou esbranquiçada.
Toda a planta exala um aroma forte e agradável.
 
 
 
O Cebolinho possui folhas muito finas, altas, verdes e cilíndricas. É um membro da família da cebola, com o sabor evidente, mas muito mais disfarçado da cebola. As folhas amarelas nas plantas podem aparecer devido à falta de luz, ou somente de causa natural - a folha interna pode receber uma ou duas folhas amarelas. É uma planta que apresenta um crescimento muito vertical.
 
 
 
 
Coentros - Planta de folhas verdes, que apesar de mais arredondadas, são parecidas com as da Salsa. É uma planta com um cheiro e gosto característico e as suas folhas são macias. Em casos de oscilação de temperaturas a planta tem tendência a formar condensação nos sacos.

 

O Estragão é uma herbácea perene (dura vários anos), de folhas pequenas e estreitas. É muito raro ver-se o estragão em flor, mas pode ter umas pequenas flores amarelas que formam um cacho.
 
 

 

O Funcho, também conhecido como erva-doce, é uma planta herbácea perene, de caules eretos múltiplos e de cor verde intenso. Esta erva aromática necessita de bastante irrigação, comparativamente às outras variedades.
 
 


 

O manjericão é uma planta herbácea, de folhas verdes e ovais. É uma planta muito aromática com folhas perfumadas. Os rebentos, ou seja, as folhas mais pequenas do centro são mais enrugadas.
 
 
 

O Manjerico é uma planta herbácea, da mesma família do Manjericão, sendo a maior diferença física entre os dois no tamanho das folhas, as do Manjerico são de menor dimensão. É uma planta muito aromática com folhas ovais e perfumadas.
 
 
 

 


A Hortelã-Menta é uma planta herbácea vivaz e vigorosa, de um corte nascem várias ramificações.
Possui folhas eretas e um aroma forte e agradável.
Poderão aparecer folhas pretas ou amarelas na base da Hortelã-Menta, visto que existe uma falta de luz no centro da planta a partir de uma certa altura.

 


Os Orégãos são plantas herbáceas e perenes, de caule ereto, de folhas opostas, ovais e pontiagudas de cor verde-escuras com aproximadamente 35mm de comprimento. Caracterizam-se pelo seu cheiro bastante aromático e sabor amargo. Por serem plantas tipicamente mediterrânicas apresentam um desenvolvimento horizontal. No entanto, devido ao seu ciclo, poderão apresentar flores nos dias mais compridos e assim apresentar alguns caules bastante verticais.
 
 
 
 
Poejo - É uma das espécies mais conhecidas do género Mentha. Possui talos eretos quadrangulares, muito ramificados, e folhas em forma de lança, de cor entre o verde médio e escuro. As suas flores são pequenas e rosadas.
 
 
 
 
 
 
 


A Salsa é uma planta herbácea, formando uma roseta de folhas muito divididas, e o seu sabor é suave tornando-a numa das mais populares ervas aromáticas. A Salsa é bastante resistente a flutuações da temperatura.
 

Sálvia - É uma planta vivaz, subarbustiva e bastante ramificada. As folhas da Salva, de coloração verde acinzentada, são de inserção oposta, de superfície rugosa, possuem um pecíolo mais ou menos longo que as une ao caule. As flores encontram-se agrupadas em vértices dispostos de espigas terminais. Toda a planta exala um agradável odor característico.
 

O Tomilho é uma planta semi-arbustiva, com caules rasteiros, folhas e flores pequenas (rosadas ou brancas), e um aroma forte e intenso. Como espécie mediterrânica, gosta de solos bem drenados, adaptando-se mesmo em solos muito secos.
É uma erva rasteira e pode em vaso ser semelhante a uma espécie trepadeira.
 



A Alface é uma hortense anual ou bienal, é utilizada na alimentação humana desde cerca de 500 A.C.
Originária do Leste do Mediterrâneo, é mundialmente cultivada para o consumo em saladas, com inúmeras variedades de folhas, cores, formas, tamanhos e texturas.

 





A Malagueta, como todas as outras espécies do gênero Capsicum, é nativa das regiões tropicais da América. Existem centenas de tipos diferentes de Malaguetas que variam em tamanho, forma, cor e intensidade de sabor «picante». Este arbusto possui folhas ovais, acuminadas, flores alvas e bagas fusiformes, vermelhas, bastante picantes, utilizadas como condimento.
 
 
 
A Sorrel é também conhecida como Erva Azeda ou Azedinha. Em Itália, surpreendentemente, faz parte das hortas comuns e é, ainda, muitas vezes ligada à cozinha francesa. É frequentemente considerada como uma salada verde ao invés de uma erva, mas, na verdade, é ambas: salada e erva.
A Sorrel é uma planta delgada, com cerca de 60 cm de altura, com raízes que são profundas no solo, bem como caules suculentos e comestíveis e folhas oblongas. As folhas inferiores têm 7-15 cm de comprimento, ligeiramente em forma de seta na base, com pecíolos muito longos.

É uma erva importante para as dietas sem sal, porque acrescenta tempero sem o uso de sal.
 
 
 
A Stevia é um género botânico pertencente à família Asteraceae.
A Stevia é um pequeno arbusto (pode atingir 30 a 90 cm de altura) perene que pertence à família dos crisântemos e é nativo da América do Sul. As suas folhas são compridas e ovais, com orlas serrilhadas e produz pequenas flores brancas.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

São Mamede de Infesta

São Mamede de Infesta
 
 
 
 
História
A freguesia de S.Mamede de Infesta, aparece documentada nas inquirições de 1258 e no censo de 1527.
A história e o desenvolvimento de S. Mamede de Infesta estão intimamente ligados à situação geográfica da localidade.
Já no tempo da ocupação romana S. Mamede assumia papel de destaque como espaço privilegiado de implantação das infraestruturas de ligação entre o Porto, imediatamente a sul, com outras localidades mais importantes, situadas a Norte.
Data desta época a escolha de S. Mamede de Infesta para a implantação do traçado da via romana que ligava Lisboa à cidade de Braga e respetivo prolongamento até à Serra do Gerês. A Ponte de Pedra, típica construção romana, hoje lugar de destaque em S. Mamede, é apontada como um dos possíveis trajetos dessa via.
Também desde o tempo da ocupação romana, S. Mamede mantinha fortes ligações - decorrentes da respetiva contiguidade territorial com as terras agrícolas da Maia e com o Porto, cidade comercial.
Foi esta crescente implantação e desenvolvimento de vias de comunicação que originou e condicionou, em certa medida, o próprio crescimento demográfico de S. Mamede de Infesta.
Uma outra construção reveladora da importância que as vias de comunicação desde sempre assumiram em S. Mamede de Infesta é a Capela do Lugar do Telheiro. Segundo contos antigos, na viagem de Lisboa para Pádua, Santo António terá pernoitado debaixo de um telheiro, e aí readquirido forças para se recolocar ao caminho. Foi esse telheiro que ganhou nome de Lugar e honras de Capela.
São também várias as referências à importância do rio Leça que atravessa S. Mamede na vida da localidade mamedense ao longo dos séculos. Em 1809, o general Soult, que comandava as tropas francesas na invasão ao Porto, escolheu a margem do rio Leça para instalar as suas tropas, tendo-se albergado no palácio das suas margens, onde engendrou o seu plano invasor.
Anos mais tarde, em 1833, época de outras contendas, um reduto das tropas miguelistas ficou sitiado no Lugar do Telheiro, para cortar a estrada que ligava Porto a Braga.
As potencialidades urbanísticas e a riqueza dos recursos naturais levou a que, tanto no fim do século XIX como nos dois primeiros quartéis do século XX, S. Mamede fosse reconhecida como uma "lindíssima estância" (segundo o jornal Lidador) onde abundavam os passeios de barco, os piqueniques, os bailes de Domingo e as tertúlias que frequentemente lá se desenrolavam.
A atual Cidade de São Mamede de Infesta tem cerca de 25 mil habitantes e 19.900 cidadãos eleitores.
 
 
 
Origens
(extraído duma obra de caracter monográfico sobre S. Mamede de Infesta publicada pela Junta de Freguesia)
S.Mamede de Infesta é a denominação que esta freguesia tem no ano de 1706, pois anteriormente só se chamava S. Mamede, como vem nas Inquirições de 1258 e no censo de 1527. No entanto, em documentos do seculo XII vem denominada S. Mamede de Tresores (o termo Tresores vem de três orres, ou vales, que efetivamente ladeiam a freguesia). O determinativo Infesta (termo arcaico que significa subida, encosta, costa ou costeira, tem a sua razão de ser, pois S. Mamede está numa elevação que domina o rio Leça ), aparece na "Corografia Portuguesa" do Padre Carvalho da Costa e tem variado muito, pois também se acha S. Mamede da Ermida e S. Mamede da Hermida da Infesta, nas Constituições do Bispado do Porto de 1735 e noutros documentos do seculo XVIII e S. Mamede de Moalde no "Catálogo e História dos Bispos do Porto" de Rodrigo da Cunha, em 1623 e na " Nova História da Ordem de Malta " de José Anastácio Figueiredo.
O nome de origem é Sanctus Mamethus. Moalde é, possivelmente, o mais antigo lugar da freguesia de S. Mamede de Infesta. A primeira vez que é nomeada foi no ano de 994 e em 1008, sob a forma de villa Manualdí, isto é, quinta ou herdade de alguém chamado Manualdo. Existe uma certa dúvida quanto a este nome, pois alguns autores acham que Moalde vem do nome de um guerreiro alemão de nome Modwald, mas tal não será pertinente.
Seixo é igualmente um lugar muito antigo desta freguesia, pois já nas Inquirições de D. Afonso III em 1258, se menciona o seu nome. Este lugar foi desmembrado da freguesia de Ramalde em 1895, sendo anexado a S. Mamede.

 
Povoamento
 Provavelmente, no período Neolítico, teria existido já povoamento de toda a zona abrangente à atual freguesia de S. Mamede de Infesta. Há indícios de monumentos megalíticos na freguesia de Custóias.
O aparecimento de ferro nas regiões do Mediterrâneo oriental teve projeção na Península Ibérica, dado o incremento das viagens marítimas dos povos da Ásia Menor, por volta do seculo XI a.c. Os Fenícios estabeleceram reitorias na Península, a partir do seculo X a.c., tendo navegado até à foz do Douro.
Na primeira metade do sec. VI a. c. chegaram à Península vários povos a que se dá o nome genérico de Celtas. Provinham da cultura Adlerber, no centro da Europa. Das cinco tribos que vieram para Portugal, só iremos considerar a tribo dos Draganes, pois eles colonizaram as terras entre os rios Vouga e o Minho.
Da junção destes diversos povos com as populações locais teriam provido os Celtiberos, que juntavam o carácter agrário dos primeiros habitantes à vocação marítima dos povos invasores.
Desde o seculo X a. c. e ligada à Civilização do Ferro, foi desenvolvida no território português a civilização castreja, que é caracterizada por povoações fortificadas no cimo de montes. Estes crastos, ou citânias, tinham para defesa muros de pedra e com um núcleo principal de casas do mesmo material, cobertas de colmo ou ramos de árvore. A agricultura e a pastorícia eram o modo de vida destes povos.
Há vestígios de um pequeno castro no lugar de S. Sebastião.
Na zona compreendida entre o Rio Douro e Minho, era o território de povos genericamente designados por Calaicos.
Ao longo do período entre o seculo V a. c. e O seculo 11 a. c. parece esboçar-se um conjunto de transformações nas comunidades da zona litoral de entre Douro e Minho. Os contactos
mantidos com as zonas meridionais iberopunicas até ao Bronze Final, juntando o impacto das migrações dos Túrdulos, deram a estes povos uma identidade cultural e técnica específica.
As guerras Púnicas entre Roma e Cartago, trouxeram para a Península Ibérica as legiões romanas, a partir de 218 a. c. Depois da derrota dos cartaginesas em 206 a. c., Roma considerou a península como seu domínio militar, para combater os vários levantamentos dos povos indígenas.
No ano de 197 a. c. foram enviados para a península Ibérica Semprónio Tudiano e M. Hélvio, a fim de dividir o território ocupado em duas províncias: a Hispânia Ulterior a ocidente e a Citerior a oriente.
Aparentemente só no ano de 138 a. c. se efetuou a primeira grande campanha militar romana no atual território português. Tal iniciativa esteve a cargo do governador da Hispânia Ulterior, Décio Júnio Bruto.
Pelo testemunho de Estrabão, sabemos que Júnio Bruto avançou para norte, contornando as regiões montanhosas do interior. Tal decisão mantinha a sua força o mais perto possível do litoral, a fim de receber reforços por via marítima. Este itinerário seria depois, provavelmente, escolhido para a estrada que viria a ligar Olissipo a Bracara, passando provavelmente por território que hoje é S. Mamede de Infesta. Júnio Bruto foi até ao rio Minho, tendo voltado para trás.
Caio Júlio César foi governador da Hispânia Ulterior no ano de 61 a C. tendo efetuado uma expedição naval à Galiza, passando pela foz do rio Douro.
No ano em que Octávio assumiu o poder, depois de ter derrotado Marco António, estabeleceu com o Senado a partilha das regiões que Roma dominava. A Península ibérica foi dividida em duas províncias: Bética e Lusitânia. No entanto, em 13 a c., a Lusitânia foi dividida em duas províncias: a Tarraconensis e a Lusitânia. A Tarraconensis tinha como fronteira o rio Douro.
No seculo I, teria existido uma "villa " Decio e um templo dedicado a Júpiter, onde hoje está localizado o Mosteiro de Leça do Balio. Também na Quinta dos Alões, foi descoberta
uma ara com a seguinte inscrição: " Flavus, filho de Rufo, cumpriu de boa mente o voto a Júpíter Optímus, Maxímus " S. Mamede de Infesta era atravessada pela estrada que ligava Olissipo a Bracara. Dessa via existe o local onde ela atravessava o rio Leça, na Ponte da Pedra, onde hoje existe a velha ponte medieval. Foi encontrado na Quinta do Dourado um marco miliar romano, onde se encontra gravado o nome do imperador Adriano. Este marco miliar está no cemitério paroquial, junto da igreja matriz, transformado em cruz.
Foi Augusto que mandou fundar a cidade de Bracara Augusta. É neste século que a administração romana introduz o conceito dos conventos íuridíci. Esta divisão incluía uma capital e um território, onde se celebravam as reuniões com os diversos povos, quer para exercer a justiça, quer para celebrar também o culto ao Poder de Roma, simbolizado na cidade e, mais ainda, na pessoa do Imperador e a sua família. Na província Tarraconense havia 7 conventos, sendo um deles Bracara Augusta. O território de S. Mamede de Infesta pertencia a este conventos. No ano de 212, o imperador Caracala, pelo édito com o seu nome, concedeu a cidadania romana a todos os povos do império. Sob Diocleciano, entre 284 e 288, uma nova reorganização se operou nas províncias hispânicas, sendo formada uma nova província, a Galécia. Esta província tinha como fronteira a sul, o rio Douro, indo pelo norte até à Galiza. Nesta época, as vias de comunicação eram elementos de coesão de toda a estratégia romana na península. A via que ligava Olisipo a Bracara era certamente a mais importante rota do Norte ao Sul do atual território português. Tal via passava pela atual S. Mamede de Infesta. Outra introdução romana na península foi a "Villae".
A "Víllae " eram explorações agrícolas, quase autónomas, que variavam de dimensões, pertencente a famílias romanas, constituídas por três partes distintas:
- a urbana – a mais importante, pois era onde residia o senhor da vila (donímus) e a sua
família. Podia ser residência permanente ou temporária. Era designada por "palatíum". Algumas villas eram ricamente decoradas, com o modelo das grandes residências romanas, organizadas em torno de um espaço central, chamado peristilo, ladeado por colunatas e com um lago de dimensões variáveis. Este modelo permite isolar a vida doméstica do exterior. Os quartos e os aposentos privados abrem-se para o espaço central, que lhe fornece iluminação suficiente para que as aberturas externas se reduzam ao mínimo. A casa compreendia um espaço público, onde se encontrava o escritório do dono da casa, para receber e tratar de todos os assuntos com os rendeiros e com os seus clientes.
Nas proximidades da casa situavam-se os banhos.
- a rústica – eram as habitações dos servos "servi " as suas famílias, quase cabanas, juntamente com o gado e os utensílios de lavoura.
- a frutuária – eram os celeiros a as adegas. No território de S. Mamede de Infesta havia duas villas: Sanctus Mamethus e Manhaldy.
Durante o seculo III uma nova religião é disseminada na Península. O Cristianismo.
No ano de 380, o Édito de Tessalonica, promulgado por Teodósio, declarava a religião católica como religião oficial do Império.
A difusão do catolicismo na Península começa pelas províncias da Bética e pelo litoral da Tarraconense, que eram as zonas mais romanizadas.
A partir de 409 a situação política na Península, sobre tudo na Galécia, altera-se radicalmente com a penetração em massa dos povos germânicos, os Vândalos e os Suevos.
O centro do poderio suevo era o território entre o Douro e o Minho. Tinha como capital a cidade de Braga e como fulcro Calle.
Em 456, o rei Requiano converte-se ao cristianismo. No entanto, devido ás ideias expansionistas deste rei, os Hispano-Romanos pedem ajuda ao rei visigótico Teodorico, que o derrota na batalha junto ao rio Orbigo, indo depois saquear a cidade de Braga. Derrota novamente Requiano no Porto, onde é executado.
O progressivo avanço dos Visigodos na Península faz-se com a assimilação dos Hispano Romanos, embora com várias revoltas no início do seculo Vi.
Durante o reinado de Alarico II, em 506, um concílio com os bispos católicos em Agde, é promulgado a Lex Romana Vísígothorum, que está na base do célebre código jurídico que perdurou na Hispânia até ao sec. XIII.
Durante a época visigótica, mais exatamente a partir do seculo VI, com a degradação e abandono das villas romanas, começam a surgir as comunidades de aldeia e as comunidades de vale. Os servos, abandonados pelos seus senhores, juntavam-se em comunidades humanas com uma certa organização coletiva e autónoma, não dependentes, portanto, de um senhor. As leis da época reconhecem a sua legitimidade, ao falar no íudex loci e no conventus publícus vícínorum, ou seja, no magistrado local e no órgão coletivo que assegurava a sua coesão e o seu funcionamento.
Tais coletividades usavam a eira, o moinho, o lagar e o forno comunal.
As aldeias tinham um núcleo central, com as casas à sua volta, para facilitar a defesa das pessoas e bens. Posteriormente é nestas comunidades primitivas que se iniciaram a construção de pequenas ermidas, servidas por um presbítero, eleito entre os seus habitantes, em comparação com as basílicas que os grandes senhores constroem nos seus domínios.
Foi no início do seculo VIII (711), que a Península foi invadida pelos muçulmanos, chefiados por Tariq bem Ziyad, que derrotou o rei Rodrigo na batalha de Guadalete. A penetração árabe na Península não se efetuou da mesma maneira em todo o território. As zonas do sul foram mais arabizadas que as do norte. " Os territórios que se submeteram por capitulação são os do Norte, onde os cristãos conservaram a propriedade das terras a arvoredos, mas não a dos outros bens. "- Coelho, 1989. Em 715 toda a Península estava sob o domínio muçulmano, exceto uma faixa nas Astúrias, onde alguns capitães visigodos buscaram asilo. Comandava este núcleo de resistência um cavaleiro de nome Pelágio ou Pelaio, que no ano de 718, derrotou o exercito mouro na batalha de Canga de Onis, dando inicio à reconquista cristã.
D. Afonso I, o Católico, (739-757), reconquista a Galiza e o Douro, nas cidades de Braga, Porto, Viseu e Chaves.
Segundo a Crónica Albeldense, D. Afonso I teria ermado a zona portuguesa a norte do Douro, abrangendo as cidades de Portucale, Anégia, Braga e Chaves, levando a população para o Cantábrico, a fim de fazer uma zona tampão e não possibilitar a recolha de mantimentos pelas forças mouras. O problema do ermamento total tem suscitado dúvidas, pois na zona de Entre o Douro e Minho, segundo Damião Peres, " seria mais correto defender o semiermamento, pois houve formas isoladas de vida comunitária, política e religiosa, que subsistiram quando da restauração dessas terras."
Foi no reinado de Afonso III que se verificou o grande esforço para a retomada do ocidente peninsular entre o rio Minho e o rio Mondego. Em 868, tinha lugar a presúria de Portucale, por Vimara Peres, tendo sido restaurado o Castro Novum. É dessa época que se instalam algumas famílias importantes no território a norte do Douro. A família de Vimara Peres, a família de Dona Mumadona Dias, que funda o mosteiro e o castelo de S. Mamede, que futuramente será a cidade de Guimarães e a família dos Mendes, que depois foram chamados da Maia, possuidores de vastos territórios entre o rio Douro e Santo Tirso.
Em Julho de 1015 e durante nove meses, os campos situados entre o Douro e o Ave foram destruídos por forças Normandas vindas de Tuy, chegando a conquistar o castelo de Vermoim.
Possivelmente, em meados do seculo X, foi fundado um convento duplex (de frades e de freiras) junto ao rio Leça, chamado Convento do Salvador.

 
 
Heráldica
BRASÃO DA CIDADE DE S. MAMEDE DE INFESTA
Escudo de vermelho, um monte cosido de negro sainte de um pé de água de cinco faixetas ondadas de prata e azul; brocante em pala, um cajado e uma caldeira, tudo de ouro, acompanhado em chefe de duas cruzes da Ordem de Malta de prata. Coroa mural de prata de cinco torres. Listel branco com a legenda a negro: "CIDADE DE S. MAMEDE DE INFESTA.
SIGNIFICADO DE ALGUNS ELEMENTOS HERÁLDICOS
As cinco torres representam a elevação de S. Mamede de Infesta à categoria de cidade.
As cruzes de Malta fazem a ligação histórica à Ordem de Malta (sediada no antigo Balio de Leça) que na Idade Média possuía as terras do "Couto de Leça" (que incluía a atual S. Mamede de Infesta).

O cajado e a caldeira relembram que esta terra era local de passagem dos peregrinos que se dirigiam a S. Tiago de Compostela.

O monte cosido de negro representa a encosta ou colina existente nesta povoação (daí a conotação com o nome "Infesta").

As cinco faixetas ondeadas significam as linhas de água que atravessam ou marginalizam esta povoação, Rio Leça, Ribeiro de Picoutos, etc.
 
 
Museus
 Museu Abel Salazar
Tutelada, inicialmente, pela Fundação Gulbenkian, a Casa-Museu Abel Salazar é desde 1975 património da Universidade do Porto, sendo gerida desde 1989 pela Associação Divulgadora da Casa-Museu. Integra a Rede Portuguesa de Museus.
Abel Salazar, médico e cientista reconhecido a nível mundial, nasceu em Guimarães em 1889 e residiu em Matosinhos durante cerca de trinta anos.
As coleções da Casa Museu Abel Salazar são muito diversificadas e de um reconhecido valor histórico e patrimonial.
Expostas em três pisos, refletem sobretudo a faceta artística do mestre, através de esculturas, pinturas a óleo, desenhos, nanquins ou cobres martelados.
No primeiro andar há uma reconstituição do ambiente vivido por Abel Salazar na sua residência, ainda com o mobiliário e disposição originais.
No 2º andar, em várias salas estão expostos alguns dos trabalhos de investigação de Abel Salazar na área das ciências biológicas, material de laboratório e artigos por si escritos, trabalhos de gravura e alguns objectos de uso pessoal no quarto de dormir.
A sua faceta de pensador social (que levaria à sua expulsão da Universidade do Porto pelo Estado Novo) é igualmente abordada neste espaço museológico.
Este museu integra a Rede Portuguesa de Museus.
 
 
A História da Casa-Museu Abel Salazar, situada em S. Mamede de Infesta, poderá dividir-se em três períodos, atendendo às três instituições que a dirigiram, desde a sua formação.
O primeiro, de 1947 a 1965, foi o período em que uma plêiade de amigos e admiradores, após a morte de Abel Salazar, continuou a enaltecer e a divulgar a sua Obra, através, nomeadamente, da tentativa de constituição de uma "Fundação Abel Salazar", que depois de muitas vicissitudes se concretizou, em 1963, como "Sociedade Divulgadora Abel Salazar", ao fim de 17 anos de persistentes esforços.

O segundo, de 1965 a 1976, altura em que a Casa-Museu foi adquirida pela Fundação Calouste Gulbenkian, embora tenha continuado na sua direção a Sociedade Divulgadora.

Nesta fase, em 1975, foi construído o Pavilhão de Exposições.
O terceiro, de 1977 até à presente data, em que a Casa-Museu foi doada à Universidade do Porto, da qual era reitor o Prof. Ruy Luís Gomes, uma das primeiras figuras na luta pela constituição da Fundação.

Em Maio de 1979 é eleito o Prof. Ruy Luís Gomes para a Presidência da Sociedade, por falecimento do Prof. Alberto Saavedra. Sucede-lhe a Prof.ª Maria de Sousa e um ano depois o Prof. Nuno Grande.
 
Presentemente é uma instituição de utilidade pública, sem fins lucrativos, tutelada pela Universidade do Porto e dirigida com o apoio da Associação Divulgadora da Casa-Museu Abel Salazar (ADMAS) com estatutos publicados no Diário da República nº 17 – III, de 20/01/90. A missão desta consiste em promover a investigação, o estudo e a divulgação da obra científica literária, filosófica e artística de Abel Salazar.
 
 
A Casa-Museu Abel Salazar recria o ambiente onde o Mestre viveu grande parte da sua vida constando do seu espólio, para além do mobiliário e objetos do seu quotidiano, diversos trabalhos de Abel Salazar, tais como desenhos (esboços, auto-retratos, caricaturas, retratos, etc., em grafite, carvão, tinta da china, pena, aguada, sépia, crayon e técnica mista); aguarelas; óleos sobre madeira, cartão e tela; esculturas (bustos, estatuetas e medalhões em gesso, barro e bronze); cobres martelados, gravuras; trabalhos de investigação científica, manuscritos, epistolário, livros, jornais, revistas e testemunhos da sua colaboração na Imprensa.
 
Museu de Jazigos Minerais Portugueses
 
Começado a construir pela década de 40 do século XX, sob a égide do Serviço de Fomento Mineiro da Direcção-Geral de Minas e Serviços Geológicos, altura áurea da Mineração em Portugal, continuou o seu desenvolvimento durante as vilegiaturas da Direcção-Geral de Geologia e Minas, do IGM e do INETI, integrando atualmente o LNEG – Laboratório Nacional de Energia e Geologia. As coleções são representativas dos minérios, minerais industriais e rochas ornamentais de todo o território nacional, com particular destaque para aqueles que estiveram sujeitos à exploração mineira.
O espólio é constituído por amostras provenientes de variadíssimos jazigos minerais dos quais se exemplificam os de volfrâmio e estanho da Panasqueira, pirite, cobre e ferro do Alentejo, ouro de Jales e Penedono, chumbo e prata de Terramonte e Braçal (Aveiro), antimónio da região de Valongo, urânio da Urgeiriça, carvão do Pejão e S.Pedro da Cova, sal-gema de Loulé, gesso de Óbidos, talco e amianto de Vinhais, caulino de Alvarães e Matosinhos, etc. É de salientar a atenção que é dada pelo museu à exploração de caulino efetuada até há bem pouco tempo, na freguesia da Senhora da Hora. Alguns achados arqueológicos representativos da exploração mineira em Portugal, ao longo dos tempos, bem como vários instrumentos técnicos de apoio ao estudo dos recursos geológicos do País, podem também ser vistos neste núcleo museológico.
 
 

Museu do Linho e do Milho

 

O Museu do Linho e do Milho é propriedade do Rancho Folclórico do Padrão da Légua. Esta coletividade tem vindo, ao longo dos anos, a preservar o espólio relacionado com o cultivo do linho e do milho. Esta coleção resultou da recolha que este agrupamento folclórico realizou, fundamentalmente nos anos 90 do século XX, no Norte do país, enquanto procedia ao levantamento das danças e cantares associados ao trabalho do linho e do milho.
O Museu divide-se em dois grandes núcleos: o do ciclo do milho, onde o visitante pode observar as várias fases do cultivo do milho e os instrumentos utilizados para esta prática; e o do ciclo do linho, representado através dos seus diversos momentos de cultivo e respetivos utensílios, tais como rodas de fiar, espadelas ou sedeiros. Há ainda uma representação do quotidiano de uma casa rústica com as suas divisões, utensílios e trajes, assim como um pequeno núcleo de curiosidades, com peças de várias temáticas da cultura popular.
 
 
 
Templos
 
Capela da Ermida

 

 

Na Ermida há uma capela dedicada a Nª. Sª. da Conceição. Foi Igreja Matriz de S. Mamede de Infesta durante a construção da atual igreja.

O nome de S. Mamede da Ermida que vigorou em documentos do seculo XVII e início do XVIII, talvez se deva à existência da dita capela na vila. Poderá, no entanto, ter existido, também, anteriormente, um eremitério ligado ao Mosteiro.

Esta capela foi restaurada em 1804, sendo posteriormente construída uma torre no início do seculo XX.

 

 

Capela de S. Félix

 












Tem gerado alguma controvérsia a capela de S. Félix, na separação das freguesias de Leça do Balio e S. Mamede de Infesta. As duas freguesias a disputam.

O marco de separação das freguesias indica que ele pertence a Leça do Balio, mas, segundo a Dra. Maria Manuela Sá, esta capela fazia parte da quinta de S. Félix de Picoutos, que estava inscrita na freguesia de Leça do Balio, mas a casa principal estava inscrita em S. Mamede. Esta capela foi construída em finais do seculo XVII ou inicio do seculo XVIII.
Foi devido à dedicação da Dra. Maria Manuela Sá, que esta capela, que estava em ruínas, foi restaurada em 1980/81, sendo hoje património concelhio.
Ostenta uma frontaria sóbria, enquadrada por pilastras sobrepujadas de pináculos piramidais. O seu portal de vão retangular, ladeado por idênticas pilastras que suportam o tímpano interrompido. Sobre este um nicho que recolhera a estátua do orago. O conjunto termina por uma torre sineira, encimada por cruz.
O interior é de uma só nave abobadada. Sobre o altar, muito simples, em madeira ergue-se um belo retábulo. Pertence ao primeiro cicio do barroco. É formado por colunas salomónicas revestidos de cachos de uvas, aves e anjos. A cabeça do retábulo é constituída por arquivoltas ornadas com os mesmos motivos das colunas.
No interior da capela existe, em cada colateral, um túmulo singelo, em granito. Um coro com acesso por escada e uma sacristia com um gracioso lavabo, em granito, completa este conjunto barroco.
Pequena capela setecentista de uma só nave de planta retangular e sacristia adossada lateralmente também retangular integrada na Quinta de São Félix de Picoutos. Os diferentes volumes são articulados com coberturas diferenciadas em telhado de uma e duas águas. A fachada é enquadrada por cunhais rematados por pináculos piramidais. O portal principal de vão retangular é balizado por pilastras toscanas que suportam um frontão curvo interrompido, sobrepujado, sucessivamente, por uma janela envidraçada e um nicho emoldurado que já não contém o santo padroeiro.
No topo, apresenta um campanário, de um só vão, rematado por um frontão triangular interrompido, sobre o qual se implanta uma cruz. O interior de nave única abobadada é iluminado pela janela da fachada principal e por duas outras gradeadas rasgadas nas paredes colaterais. De salientar ainda o coro-alto, apoiado por consolas de pedra e com varandim de madeira cujo acesso é feito pelo exterior. No altar existe um retábulo, em talha dourada, com colunas salomónicas revestidas por cachos de uvas, fénix e putti.
 
 

Capela de Sto. António do Telheiro

 
 

Situada no Largo do mesmo nome no Lugar do Telheiro está associada à lenda que assinala a passagem de Sto. António por aquele local.
Também nesse local se realizam as festas anuais ao Sto. António do Telheiro que são das mais importantes que se realizam em S. Mamede de Infesta. Prolongam-se por mais de uma semana e decorrem no princípio do mês de Setembro.

 

 

 

Capela do Senhor da Boa Fortuna

 

 

 
Em Moalde, há a capela do Senhor da Boa Fortuna e da Boa Morte, que primitivamente se chamava do Senhor da Cruz das Almas e foi mandada construir pelo Reverendo Manuel da Silva Barros.
Tem festividade anual no domingo do Espírito Santo e tem larga tradição nas gentes do local.

 
 

Igreja Matriz de S. Mamede de Infesta

 












A atual igreja de S. Mamede de Infesta foi iniciada em 27 de Agosto de 1864, tendo sido concluída em 7 de Setembro de 1866. Foi graças a um grande benemérito, natural desta freguesia, Rodrigo Pereira Felício , Conde de S. Mamede, que doou 12 contos de reis para a sua construção.

HISTORIAL DA IGREJA MATRIZ DE S. MAMEDE DE INFESTA
(extraído do trabalho monográfico sobre de S. Mamede de Infesta publicada pela Junta de Freguesia)

Segundo se sabe, a mais antiga seria uma capela em Moalde, conforme texto de doação de D. Unisco Mendes ao Mosteiro da Vacariça - " da mesma sorte vos damos em Manualde, duas partes da igreja de S. Mamede "- Livro Preto da Sé de Coimbra.
A continuidade desta igreja é-nos dada por várias citações ao longo dos anos: - Venda, em 1 1 3 1, por D. Chamoa Pais e seu marido, ao Bispo do Porto, parte da igreja de S. Mamede.

- Ordenações Afonsinas ( 1258 ) - Igreja de S. Mamede.
- Em 1320, esta igreja figura com o nome de S. Mamede de Thresoires
- Em 1556, a descrição da sua localização no lugar da Igreja.
- Em 1662, na visitação efetuada em 23 de Abril, consta o seguinte: " que faça de novo a porta principal que cae e reboque a Igreja e fação o Caminho e passadouro da Laranjeira com sua escada de pedra bem comprido "
- Na visitação de 1686, foi dito: "os fregueses farão o acrescentamento em termo de dois anos pois me constou que por razão de serem muitos, não cabem na Igreja ".
Em virtude da pequena dimensão desta igreja, foi mandado construir uma nova no Monte de Nª. Sª. da Conceição, pelos Balios de Leça, sendo consagrada em 22 de Janeiro de 1735 e o adro em 15 de Fevereiro de 1737, passando a chamar-se Igreja Nova.
A antiga igreja foi ficando em ruínas, e pensa-se que a Capela de S. Cristovão, na Quinta do Dourado poderá estar associada (pelo menos no mesmo local ) à velha igreja. À Igreja Nova sucedeu a atual igreja Paroquial de S. Mamede de Infesta, construída no mesmo local da anterior.
O orago e padroeiro da freguesia é S. Mamede Mártir e tem celebração a 17 de Agosto.

A atual igreja de S. Mamede de Infesta foi iniciada em 27 de Agosto de 1864, tendo sido concluída em 7 de Setembro de 1866. Foi graças a um grande benemérito, natural desta freguesia, Rodrigo Pereira Felício , Conde de S. Mamede, que doou 12 contos de reis para a sua construção.
EPISÓDIO DA INAUGURAÇÃO DA IGREJA MATRIZ
Há, no entanto, um episódio peculiar com a doação e a inauguração desta igreja. Rodrigo Pereira Felício aquando da doação dos 12 contos de reis teria dito que queria uma igreja com duas torres, como a do Senhor de Matosinhos. No entanto, o arquiteto Pedro de Oliveira construiu a igreja à imagem da Igreja da Trindade, portanto, com uma torre só. Aquando da inauguração, estando tudo preparado, Bispo, povo, autoridades, esperando apenas pelo Conde de S. Mamede, Rodrigo Pereira Felício, que chegava do Brasil. Quando a carruagem do Conde chegou ao cruzeiro (atual cruzamento da rua Godinho de Faria com a Av. do Conde) e viu a sua igreja só com uma torre, deu meia volta e retornou ao Brasil, sem mais palavras.
"Esta igreja é exteriormente de aspeto simples mas agradável. Ao entrar uma onda de luz nos envolve. Tem seis altares, fora o da capela-mor, dois na frente do arco cruzeiro e os outros quatro ao lado, dois a cada parte, ficando no meio os púlpitos. São quatro destes de obra de talha, caprichosamente trabalhada. Toda a talha destes altares, assim como a da cimalhas da arco cruzeiro e portas, a tribuna da capela mor que é do mesmo gosto de escultura , pertencia à igreja do extinto convento de Monchique. Os outros altares foram feitos, um de novo, outro dos restos de um altar da antiga igreja. A sua escultura, em extremo simples, destoa inteiramente da dos outros altares. Na capela-mor a tribuna , adaptada para outros lugares de mais amplas proporções, como se recente da deslocarão. Venera-se nesta altar o padroeiro e taumaturgo Sto. Antónío. Aos lados vêem-se dois quadros em relevo, representando um S. João Evangelísta e outro, a Coroação da Virgem. Nos outros altares estão as imagens da Sra. do Rosário, S. Frutuoso, Sra. das Dores e Senhor Morto, Bom Jesus dos Navegantes e Sra. da Soledade. No segundo altar do lado do Evangelho está o Sacramento.
O corpo da igreja tem quatro frestas. Além destes recebe luz por uma clarabóia na capela mor e por três janelas no coro. Este é firmado sobre um largo arco abatido e outros dois mais pequenos e além destes sobre outros dois que se cruzam entre os primeiros e a porta. Este cruzamento de arcos desfeia a entrada da igreja, porém tomou-o necessário a construção da torre que se ergueu sobre a entrada. É de forma simples mas bem lançada ".- in Comércio do Porto – 11/9/1866.


Turismos e Lazer

Parque Urbano

Arquitetura: Carlos Guimarães e Luís Soares Carneiro
A zona conhecida como Pedra Verde constitui desde há muito um dos conjuntos urbanos mais qualificados, não só do concelho, como da área metropolitana. Com esta intervenção - nomeadamente o Parque Urbano - o seu desenho e uma realização cuidada, somado à vantagem adicional de uma ligação fácil e rápida ao IP4, passará a ver reforçada a sua competitividade e atratividade, e dará certamente lugar à existência de um local de extrema aprazibilidade e de efetiva qualidade de vida. A estrutura viária envolvente articula a Rede Distribuidora Principal Municipal com importantes vias de nível metropolitano e regional (IP4, E.N.14, Estrada da Circunvalação), configurando um quadro de boas acessibilidades que servem e estimulam todo o processo de progressiva urbanização em curso.
A solução do Plano de Pormenor procurou assentar em princípios que propiciassem clareza quer quanto aos futuros espaços urbanos a construir, quer quanto a todo o conjunto de questões de gestão urbana que implicam para o futuro.
Assim, a solução apresentada assentou na reinterpretação de elementos da tradição urbana e da cidade tradicional.
Aí, tanto ou mais que o desenho dos edifícios, importará o Desenho do Urbano como fator primeiro, enquadrador e referente fundamental da qualidade dos novos espaços urbanos. A recuperação de elementos reconhecíveis como a Rua, o Largo (ou Praceta) e o Jardim, está presente e orientou a organização da solução global. Também a clara delimitação do que pertence ao foro Público e do que pertence ao foro do Privado se considerou fundamental, quer quanto ao que implicam de conteúdo programático, quer no que implicam de clareza formal do que se projeta.

O Programa integra fundamentalmente quatro valências — Parque Urbano, Equipamentos Públicos, Áreas Residenciais, Desenho de Cidade — a cada uma das quais corresponde um Programa específico que, em certos casos, se configura como uma intenção aberta a oportunidades futuras.
De facto, além da definição do dimensionamento e distribuição geral do programa, a solução desenvolvida assenta na criação de uma malha de vias que organiza toda esta nova parte da cidade. Consequentemente, o desenho das ruas e avenidas constitui o elemento central da criação da imagem e personalidade do espaço público. Na definição dos seus perfis está patente a preocupação de as dotar com as dimensões e condições para serem aprazíveis enquanto percursos pedonais, e, poderem oferecer, ao longo delas, uma capacidade de estacionamento que evite os tradicionais problemas que resultam da criação de grandes áreas exclusivamente destinadas a esse fim.